MARICÁ/RJ – Ilha Maricá

Viagem realizada em 02/05/2015 –

Duas e meia da manhã de um sábado no meio do feriadão de 1 de maio, e eu acordo para ir ao banheiro. Como havia me programado para levantar às 4h30min, decido ficar direto e ir arrumando alguns detalhes que eu sempre deixo para a última hora. A missão? Partir sozinho para um ambiente sem estrutura, banheiro, luz ou fonte de água potável. A motivação? Explorar a belíssima e selvagem Ilha Maricá.

Sol nascendo, hora de ir para a rua…

Sol nascendo

Sol nascendo

De ônibus, peguei duas conduções, partindo de Itaboraí e baldeando em Niterói, até chegar à rodoviária de Itaipuaçu, de onde caminhei por cerca de 15min até a praia de mesmo nome do bairro, que seria o meu limite terrestre.

Praia de Itaipuaçu

Praia de Itaipuaçu

De lá, já ia me empolgando por avistar meu destino ao fundo. A ilha é, na verdade, parte de um arquipélago chamado Ilhas Maricás. Por ser a maior (as outras 4 são muito pequenas), herdou o nome no singular.

Praia de Itaipuaçu

Praia de Itaipuaçu

Praia de Itaipuaçu

Praia de Itaipuaçu

E fui andando por mais meia hora, pela simples, mas belíssima orla.

Orla da Praia de Itaipuaçu

Orla da Praia de Itaipuaçu

Orla da Praia de Itaipuaçu

Orla da Praia de Itaipuaçu

Chegando à colônia de pescadores, uma notícia triste: o único que estava fazendo o trajeto até a ilha, o Manel, disse que o mar estava muito mais bravo do que o normal e me desaconselhou a seguir viagem. Eu recusei e disse que iria esperar as condições melhorarem até que ele ou outra pessoa pudesse me levar.

Meia hora depois, o nativo me chama. Fala que há risco considerável em sair da praia naquela situação. Pergunta se eu nado bem e se quero mesmo seguir em frente. Ao dizer que sim, tive que rir da resposta dele: “só vou te levar porque você é maluco, e com maluco a gente não discute”.

Pulei na voadeira e rapidinho já avistava a ilha de perto.

Chegando à Ilha Maricá

Chegando à Ilha Maricá

Nosso desembarque foi na Praia da Galheta, com alguns pescadores vindo nos receber.

Praia da Galheta

Praia da Galheta

Praia da Galheta

Praia da Galheta

O lugar, apesar de ser cheio de mariscos e ouriços, sendo desaconselhável andar ou entrar na água descalço, é maravilhoso.

Praia da Galheta

Praia da Galheta

Praia da Galheta

Praia da Galheta

A vista, então, indescritível.

Vista da Praia da Galheta

Vista da Praia da Galheta

Vista da Praia da Galheta

Vista da Praia da Galheta

Vista da Praia da Galheta

Vista da Praia da Galheta

Eu esperava um local totalmente selvagem. Talvez com dois ou três nativos que vivessem de pesca. Mas, além dos pescadores que vieram me receber, de cara avistei esses caiaques:

Caiaques

Caiaques

Caiaques

Caiaques

E essas barracas:

Acampamento dos canoístas (futuramente seria o meu também)

Acampamento dos canoístas (futuramente seria o meu também)

Eram da turma do Kayak Carioca, um clube de canoagem do Rio de Janeiro que escolheu a Ilha Maricá para sua expedição semestral partindo da Urca. E logo me enturmei com eles: Paulo, Bruno e Antônio.

Eu e os canoístas Paulo, Bruno e Antônio

Eu e os canoístas Paulo, Bruno e Antônio

Como estava na parte mais estreita da ilha, levei só 5min na minha caminhada em direção ao Leste, lado voltado para o vazio do Oceano Atlântico.

Vista da ilha para Oeste

Vista da ilha para Leste

À esquerda das rochas, no entanto, ainda era possível avistar o continente.

Vista da ilha para Oeste

Vista da ilha para Leste

Já à direita, estava a Rota das Tartarugas, esse “mini-fiorde” maravilhoso que eu fiquei admirando por algum tempo:

Rota das Tartarugas

Rota das Tartarugas

Rota das Tartarugas

Rota das Tartarugas

Meu destino era o farol. Para isso, passei sobre uma fenda que quase divide a ilha em duas, avistando a Rota das Tartarugas de um lado e outro braço de mar no oposto, multiplicando ainda mais a beleza do local.

Rota das Tartarugas

Rota das Tartarugas

Lado oposto da Rota das Tartarugas

Lado oposto da Rota das Tartarugas

Lado oposto da Rota das Tartarugas

Lado oposto da Rota das Tartarugas

Ao seguir em frente, um erro: os pescadores tinham me falado para seguir pela direita para chegar ao farol. Mas a ilusão quando se passa pela fenda é grande: você dá de cara com uma trilha bem convidativa. Segui por ela…

Em poucos minutos, desconfiei que o caminho só me levava para Leste. Mas fui em frente para ver onde aquilo daria. E, após uma descida íngreme, consegui avistar o farol.

Avistando o farol

Avistando o farol

Sabia que algo estava errado. Mas com o visual que eu tinha, estava é feliz por estar ali.

Avistando o Atlântico

Avistando o Atlântico

Avistando o Atlântico

Avistando o Atlântico

Avistando o continente

Avistando o continente

Até que resolvi apelar:

Minha guia

Minha guia

Mata fechada

Mata fechada

Entrei mata a dentro e fui seguindo a Oeste. E em alguns minutos, fui congratulado com a visão do continente. E uma visão linda.

Vista para o continente

Vista para o continente

Vista para o continente

Vista para o continente

Vista para o continente

Vista para o continente

Dali, localizei uma trilha e fui seguindo tranquilamente por ela. Até que, em seu final quase fechado, surge o monumento procurado.

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

Para a minha surpresa, o farol estava aberto. Com isso, foi possível fazer belos registros e sentir uma emoção única por estar ali.

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

Farol da Ilha Maricá

O monumento fica isolado no meio de uma mata quase fechada. A única “janela” para o mar, no entanto, compensa qualquer coisa.

Vista do Farol da Ilha Maricá

Vista do Farol da Ilha Maricá

41

Como já deu pra ver, urubu é o que não por falta lá.

Urubus curtindo a ilha

Urubus curtindo a ilha

Urubus curtindo a ilha

Urubus curtindo a ilha

De repente, uns berros e uns vultos. Não cheguei a me assustar, pois já sabia que iria encontrar cabras selvagens por ali. Só não sabia qual seria a delas. Avancei com cuidado para tentar registrar os animais, mas eles sempre fugiam. Pelo menos, deu pra contemplar o mar.

Vista para o mar

Vista para o mar

Vista para o mar

Vista para o mar

De volta ao farol, hora do almoço.

Enchendo a pança

Enchendo a pança

Enchendo a pança

Enchendo a pança

E chega a hora de deixar o local para explorar outros cantos. Mesmo agora ciente da trilha, era necessário cruzar um pequeno pedaço por essa mata a dentro:

Mata e mar. Contraste do verde com o azul

Mata e mar. Contraste do verde com o azul

Até que já era possível avistar a Praia da Galheta.

Praia da Galheta

Praia da Galheta

Ainda com a cargueira, fui me estender até o outro lado da ilha. Como a trilha para lá é um pouco defeituosa, resolvi descansar e deixar para fazê-la no dia seguinte, com o sono em dia e sem a cargueira.

Lado oposto da ilha

Lado oposto da ilha

Na Galheta, meu almoço com a galera da canoagem não poderia ser melhor. Eles levaram uns temperos, eu levei a cachaça e os pescadores gentilmente nos deram uns peixinhos.

Almoço

Almoço

Os nativos me falaram, ainda, como eles fazem para tomar banho ali. Existe um reservatório natural entre as pedras onde o mar não chega nem com a maré alta. Logo, o que fica ali é acúmulo de chuva. Em um ambiente selvagem sem água doce, isso é quase um chuveiro 5 estrelas para tirar o sal. Tinha até balde e vasilha de sorvete para jogar a água no corpo.

Poço do chuveiro

Poço do chuveiro

Poço do chuveiro

Poço do chuveiro

O melhor ainda é se banhar com esse visual ao fundo:

Tomando banho

Tomando banho

Próximos à Galheta, nas rochas à direita, ficam 2 altarezinhos que os pescadores vão pedir proteção.

Altarzinho

Altarzinho

Outro altarzinho

Outro altarzinho

O pôr do Sol visto da praia é algo que não tem como não se emocionar.

Pôr do Sol

Pôr do Sol

Pôr do Sol

Pôr do Sol

Fim de tarde, mas não de trabalho para alguns amigos…

Pescando no pôr do Sol

Pescando durante o pôr do Sol

Pescando no pôr do Sol

Pescando durante o pôr do Sol

A vista, pelo menos, ajuda a inspirar.

Vista do entardecer

Vista do entardecer

Vista do entardecer

Vista do entardecer

O resultado é um cardápio animador:

Pesca do dia

Pesca do dia

Tanto que ganhamos mais uns peixinhos para a jantar.

Matéria-prima da janta

Matéria-prima da janta

Matéria-prima da janta

Matéria-prima da janta

Acabou que eu, que achei que iria passar o fim de semana com os lanches caseiros que levei na mochila, fiz refeições melhores do que em muito restaurante de frutos do mar por aí. Dá até saudade!

Janta

Janta

Janta

Janta

A cachacinha de café acabou que fez sucesso com a galera.

Hidratação

Hidratação

Cansado e com sono, era hora de dormir. Afinal, me programei para acordar de madrugada a fim de contemplar o nascer do Sol e seguir para o nordeste da ilha.

Fiz a minha parte, mas a natureza não fez a dela. Após um céu estrelado maravilhoso com uma Lua cheia linda e sem previsão alguma de chuva, caiu um temporal às 3 da manhã. Era quase 5 da manhã, e ainda não tinha parado. Quietinho na barraca, tirei mais um ronco. E acordei com essa vista de minha janela:

Vista da janela

Vista da janela

No entanto, já eram quase 7 da manhã. Manel havia marcado de me buscar às 8h30min. Era o tempo de arrumar as coisas e recolher os lixos deixados por nossa estadia (a galera do caiaque também iria embora em seguida).

Demolindo a casa

Demolindo a casa

Já no barco, o retorno foi bem mais tranquilo…

Voltando para o continente

Voltando para o continente

No caminho, conheci o Helio, que pegou um peixe espada de 40kg e pediu para eu mandar a foto para a filha dele, para ela não achar que era estória de pescador. Mandei e comprovei que não era estória, mas história.

Helio e o peixe-espada

Helio e o peixe-espada

Peixe-espada de 40kg

Peixe-espada de 40kg

Só chegar ao continente e a galera já aguardava o barco ansiosamente. É que os peixes pescados na ilha são levados diariamente para venda lá na Praia de Itaipuaçu.

Galera disputando os peixes

Galera disputando os peixes

Antes de ir embora, pude, ainda, observar essa reunião de pássaros:

Passarinhos observando a Ilha Maricá

Passarinhos observando a Ilha Maricá

Já em casa, nada melhor do que uma hidratação com os olhos de cão que trouxe daquele lugar maravilhoso.

Hidratação

Hidratação


Gostou? Comente!
Curta nossa página no Facebook: Facebook.com/barcadaideia
Acesse todos os relatos em: Explorações

Patrocinador: Carpória – agência de comunicação.

Renaldo Souza

Um maluco de estrada que gosta de dar uma caminhada. Amante da natureza, dos churrascos e da cevada. Se Noé fez a arca, eu fiz a Barca. A Ideia, a gente arruma...

20 Comments:

  1. Oi, Bruno!

    Em geral, a trilha é bastante simples. Basta se manter à direita após a Rota das Tartarugas (uma fenda estreita que quase separa a ilha em duas). Você vai percorrer com tranquilidade tendo o visual privilegiado da Praia de Itaipuaçu ao seu lado. Só no final que você vai enfrentar uma pequena parte de mata fechada. Mas está longe de ser algo de 7 cabeças.

    Abração!

  2. Bruno de Oliveira

    Brother , a trilha para chegar ao farol é difícil ?

  3. Franci Nunes

    Adorei conhecer essa ilha…
    Vc comentou muito bem a sua ida para esse pequeno paraíso.
    Parabéns!

  4. Eduardo @zul

    Essa ilha é uma grata recordação de quando a visitei a uns 15 anos atrás.
    Não sei se voce percebeu, mas a esquerda acima da prainha tem um poço de água doce, tudo bem que tem umas pererecas habitando, mas na urgência ele ajuda muito.
    Pretendo um dia voltar nela e registrar com fotos, coisa que não fiz antes.

  5. Oi, Érika! Tudo bom?

    Para ir e voltar no mesmo dia, só se você for pela manhã bem cedo e ver a disponibilidade de algum pescador lhe buscar ao fim da tarde. Mas é arriscado. Você precisa verificar e ter bastante confiança que as condições do tempo e do mar permanecerão boas, porque, dependendo de como estiverem as ondas na Praia de Itaipuaçu, os barcos não têm como sair para a ilha. Eu fui para retornar no dia seguinte, mas levei mantimentos para mais 3 dias, já ciente disso.

    Paguei, no ano passado, 50 reais para ir e voltar. Fui com o pescador Manel. O local é selvagem. Tem seus riscos que precisam ser considerados. Mas é maravilhoso! Com certeza, você vai adorar.

  6. Oi! Ronaldo como posso marcar com um pescador de me deixar lá com um grupo? E quanto se paga? Queremos muito conhecer. Seu relato nos deixou super a fim!!!!!

    O pescador busca no mesmo dia a gente, ou há necessidade de pernoitar?

  7. Oi, Érika! Tudo bom?
    O município é Maricá, o arquipélago é Ilhas Maricás e o nome da maior ilha, que é a que eu estive, é Maricá mesmo. Provavelmente, se você ouviu chamar de Capelinha, deve ser algum apelido dado por algum pescador.

  8. Essa ilha não se chama Capelinha? Faz parte das Ilhas de Maricá. Vi fotos do local ma sera chamado assim.

  9. O lugar é mágico, Antonio. Se você não tiver problema em ficar isolado da civilização, fará com certeza uma excelente e inesquecível viagem.

  10. Antonio Vieira

    Parabéns por compartilhar essa aventura. É como se estivéssemos lá tb. Recebi um convite para conhecer essa ilha e vou sabendo q não me decepcionarei. Abraços.

  11. É a Praia da Fenda, Fátima. Lindo! Infelizmente, o temporal não deixou eu seguir para lá no segundo dia. Mas ficou para a próxima. Que bom que você conheceu!

  12. Opa, Fabricio! Tudo bom?? Avenida da Praia, Itaipuaçu. Tem uma colônia de pescadores em frente à Rua 70, na chamada Ponta do Francês. Chega lá de manhãzinha e procura pelo Manel. Todos os pescadores o conhecem. Na travessia, ele deve te cobrar 50 contos pela ida e volta. Leve bastante água e boa sorte. Vai gostar da ilha!

  13. Adorei o relato da trip, me deu vontade de ir também. Me passa o contato do barqueiro!!

  14. Fico até sem jeito de te responder, Paulo. Por enquanto, estou é tentando fazer mágica com meu humilde Razr D3 mesmo… Obrigadão pelos elogios!

  15. Paulo Roberto

    Boa tarde amigo.

    Lindas fotos. Qual a máquina fotográfica que você utilizou?

    Abraço.

  16. Fátima Cristina

    Conheço a ilha. Linda. Ainda falta você conhecer o Canyon mais maravilhoso que já vi.
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=311146035673891&set=a.311146032340558.11855470.100003354903783&type=1&theater

  17. Sempre quis ir a essa ilha, mas penso que fui com voces ao ver suas fotos e seus comentarios passo á passo..Foi 10! Linda essa ilha. Parabéns a voces pelo lindo trabalho em nos informar de tanta beleza! Continuem com DEUS!

  18. Magnifica historia. Tenho casa em Itaipuacu ha 33 anos, e sempre tive curiosidade de saber como era aquela ilha. Fiquei maravilhada, showwwww ! Parabens!

  19. Show de bola..estou ha tempos querendo ir..me animou..vou em breve

  20. Belíssimo visual!!! Perto da minha casa e eu ainda não fiz essa trip. Inaceitável, preciso urgente resolver isso. Parabéns pela excelente descrição. Empolgante!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *